Cada vez temos mais informações sobre o que é certo e o que não é para ter um cabelo bonito e saudável, mas, mesmo assim, ainda existem muitos mitos capilares que continuam a ter grande influência.
Mas não é só isso: muitas vezes seguimos uma rotina capilar sem ordem e alternamos entre diferentes produtos como se fossem a mesma coisa, como é o caso da máscara e do condicionador. Segundo o farmacêutico Héctor Núñez, mais conhecido como Cosmetocrítico, “nas rotinas capilares há muita desinformação e lendas urbanas, mas não podemos nos guiar por tendências sem questioná-las”, destaca.
O especialista sabe muito bem quais são esses erros básicos que a grande maioria comete e que continuam gerando discussão. Um dos erros mais recorrentes é a crença de que lavar o cabelo todos os dias faz com que ele fique mais oleoso. E, embora muitos insistam que isso não é verdade, ainda há dúvidas.
“Você pode lavar o cabelo quando precisar e perceber que a raiz e o couro cabeludo estão sujos”, explica Héctor Núñez. E é que lavar o cabelo com frequência não faz com que o couro cabeludo produza mais oleosidade, mas ajuda o cabelo a ficar mais solto, fresco e a crescer mais forte. Porque, se há algo que aprendemos com os maiores especialistas, é que, se o couro cabeludo estiver sujo — oleosidade, resíduos, poluição... —, os folículos capilares ficam obstruídos e o cabelo enfraquece.
Além disso, mesmo nos casos em que o cabelo pareça limpo, não é uma boa ideia lavá-lo apenas uma vez por semana. E isso é muito fácil de entender: o cabelo pode parecer limpo porque não produz muita oleosidade, mas, na verdade, os produtos se acumulam, as células mortas se acumulam e um mínimo de oleosidade também. “A produção de sebo é regulada principalmente por fatores biológicos e não pela frequência da lavagem”, destaca o farmacêutico. Embora ele ressalte que também não se deve exagerar nas lavagens: “Uma lavagem excessiva pode alterar o equilíbrio do couro cabeludo. A frequência ideal deve sempre se adaptar às necessidades individuais”, indica Núñez.
Provavelmente todas nós já ouvimos dizer que lavar o cabelo com água fria deixa os fios mais brilhantes e, claro, agora no verão parece-nos o momento ideal para colocar isso em prática. Esse conselho tão difundido se deve à crença de que a água fria fecha as cutículas e a luz se reflete melhor, mas, segundo o especialista: “Se você ouviu dizer que lavar o cabelo com água fria o deixa mais brilhante porque fecha a cutícula, lamento dizer que não é verdade”, afirma.
O que pode realmente acontecer é que, após usar a máscara ou o condicionador, haja um efeito de maior brilho. Isso se deve ao fato de que a água fria “não remove tão bem a fase oleosa desses produtos, e podem ficar mais resíduos no cabelo, fazendo com que ele pareça mais brilhante”, explica Héctor.
Se há uma afirmação que nos acompanha a vida toda, é a de que é preciso cortar o cabelo para que ele cresça mais forte e mais rápido. Algo que já ouvimos inúmeras vezes e que, na verdade, é um mito que não faz sentido algum. “Quando você corta o cabelo, está apenas cortando cabelo. E o cabelo é tecido morto”, resume Héctor Núñez.
“O que realmente afeta a força e a resistência do cabelo são fatores externos, como tinturas, aparelhos de calor, exposição ao sol ou produtos agressivos”, explica o especialista. Por isso, insistimos tanto em tentar não abusar dos aparelhos de calor nem das tinturas, já que eles acabam fazendo com que o cabelo se quebre, fique seco e sem brilho.
Na verdade, a velocidade com que o cabelo cresce e sua própria resistência dependem mais de fatores genéticos, da saúde do couro cabeludo ou dos hormônios, e não da frequência com que você corta as pontas. No entanto, isso não significa que cortar as pontas não seja benéfico, porque, na verdade, é mesmo. “O que você evita ao aparar as pontas é que o dano continue avançando e afete as fibras superiores”, acrescenta Núñez. Isso significa que, ao cortar as pontas danificadas, você impede que a ponta aberta continue subindo e danificando o fio.
Embora ambos os produtos possam parecer muito semelhantes e que vão proporcionar o mesmo ao cabelo, na verdade cada um tem sua função. “Os condicionadores contêm agentes condicionantes e uma fase oleosa mais leve, enquanto as máscaras costumam ter uma carga lipídica muito maior”, comenta o especialista.
Por isso, tudo dependerá das necessidades do cabelo: “Em cabelos curtos ou pouco danificados, o xampu e, em alguns casos, um condicionador, costumam ser suficientes. Se você tem cabelos longos tingidos, descoloridos ou frequentemente expostos ao calor, provavelmente precisará de algo a mais”, explica Héctor.
E seja qual for o produto utilizado, é preciso levar em conta que ele deve ser aplicado apenas do meio do cabelo até as pontas, pois, como indica o farmacêutico, esses produtos não são muito bons para o couro cabeludo.